Demontier Tenório/// (Foto: Arquivo/Agência Miséria)
O adolescente apelidado por “Pequeno” foi a segunda pessoa morta em novembro (Foto: Arquivo/Agência Miséria)
O número de homicídios em Juazeiro do Norte caiu de 11 em outubro para
oito no recém-findo mês de novembro, representando uma queda de 27,27%
na comparação entre os dois últimos meses. Na comparação de setembro e
outubro também houve queda de 15,38% após um crescimento de 27,28% em
agosto. Todavia, uma comparação entre os meses de novembro de 2012 e
deste ano mostra uma queda de 15 para oito ou 46,66% a menos.
Um levantamento feito pelo Site Miséria aponta que a matança em 2013 é um pouco maior em relação ao ano passado quando 119 pessoas foram assassinadas nos 11 primeiros meses do ano. Este ano, já foram mortas 121 pessoas no mesmo período ou 1,65% a mais na comparação dos períodos. Há seis meses essa diferença era de 21%, caiu para 7,7% em junho, subiu para 10,52% em julho, para 11,23% em agosto, caiu para 3,93%, subiu para 7,97% em outubro e caiu para 1,65% em novembro.
No mês passado as áreas onde mais ocorreram homicídios foram nos bairros Limoeiro Triângulo e Pio XII com dois cada, sendo que esses últimos tiveram apenas um homicídio em outubro e o Limoeiro havia zerado. Os outros assassinatos de novembro foram no Frei Damião, que manteve um em relação ao mês passado e nas Timbaúbas. Eis a relação dos homicídios registrados no decorrer de Novembro em Juazeiro do Norte:
01 – Venício Vicente Gomes, de 16 anos, que residia na Rua Socorro Norões Mota (Triangulo) foi morto a facadas perto de sua casa. Ninguém testemunhou o crime o pai dele disse à polícia que já esperava receber a noticia do assassinato do filho a qualquer momento, pois tinha se juntado com más companhias e suspeitava que o mesmo estivesse envolvido com drogas e a prática de roubos.
01 - Ednaldo Gomes Monteiro, de 17 anos, o “Pequeno” que residia na Rua Tenente José Dias (Timbaúbas), foi morto a tiros quando passava na Rua Raimundo de Freitas naquele bairro. Dele se aproximaram dois homens em uma moto, sendo um apelidado por “Neguinho” e o motivo deve ter sido dívidas com traficantes de drogas
02 – Eugênio Ferreira da Silva, de 33, que residia na Rua 7 de Setembro (Pio XII), foi morto a golpes de facão por Paulo Marques dos Santos, de 22 anos, na Praça da Capelinha em frente a Escola José Marrocos. Ele travou luta corporal e teve as mãos decepadas ao tentar se defende. Paulo mora na Rua Domingos Sávio e foi preso com o facão, apontando como motivo rixas antigas.
06 – Geyson Wanuncio Parente Alencar, de 19 anos, vendedor da Feirinha da Troca, ia para casa na Rua Manoel Cassimiro quando foi alvejado a tiros na Rua Socorro Norões Mota (Triângulo) por dois homens em uma moto. Ele caiu de sua moto e morreu no local deixando sua esposa com um bebê de 15 dias.
07 – Anderson da Silva, de 28 anos, que residia na Rua do Limoeiro, 2276 (Pirajá), foi morto a tiros em uma borracharia no cruzamento da Avenida Castelo Branco com a Rua Santa Isabel (Limoeiro), por um homem que ali chegou a pé. Ele respondia inquéritos policiais por furto, roubo, ameaça e crime contra a administração pública.
17 - Joandeson Lourenço da Silva, de 20 anos, o “Pinto” que residia na Rua João Marcelino (Pio XII), foi morto a tiros no cruzamento da Rua Frei Ibiapina com a Avenida Carlos Cruz daquele bairro tendo como autor um homem que trafegava numa moto. A vítima respondia por furto qualificado e um porte ilegal de arma de fogo.
18 - Francisco Horácio de Santana, de 35 anos, o Cachico, que residia no Frei Damião, foi morto com uma facada no pescoço desfechada por seu amigo apelidado por Buda quando trafegavam em uma carroça pela Rua Sebastiana Monteiro de Santana naquele bairro.
29 - Anne de Castro Saraiva, de 31 anos, que residia na Rua Rui Barbosa, 1609 (Timbaúbas) foi morta a tiros no cruzamento das ruas Ernestina Sobreira e Vereador Antonio Brás (Limoeiro). Ela trafegava na garupa de uma moto, cujo piloto saiu baleado igualmente por um homem que se aproximou em uma moto Honda Titan de cor preta. Ela já tinha sido presa com drogas e sua família atribuiu a autoria intelectual do crime a um ex-companheiro que se encontra preso.
Um levantamento feito pelo Site Miséria aponta que a matança em 2013 é um pouco maior em relação ao ano passado quando 119 pessoas foram assassinadas nos 11 primeiros meses do ano. Este ano, já foram mortas 121 pessoas no mesmo período ou 1,65% a mais na comparação dos períodos. Há seis meses essa diferença era de 21%, caiu para 7,7% em junho, subiu para 10,52% em julho, para 11,23% em agosto, caiu para 3,93%, subiu para 7,97% em outubro e caiu para 1,65% em novembro.
No mês passado as áreas onde mais ocorreram homicídios foram nos bairros Limoeiro Triângulo e Pio XII com dois cada, sendo que esses últimos tiveram apenas um homicídio em outubro e o Limoeiro havia zerado. Os outros assassinatos de novembro foram no Frei Damião, que manteve um em relação ao mês passado e nas Timbaúbas. Eis a relação dos homicídios registrados no decorrer de Novembro em Juazeiro do Norte:
01 – Venício Vicente Gomes, de 16 anos, que residia na Rua Socorro Norões Mota (Triangulo) foi morto a facadas perto de sua casa. Ninguém testemunhou o crime o pai dele disse à polícia que já esperava receber a noticia do assassinato do filho a qualquer momento, pois tinha se juntado com más companhias e suspeitava que o mesmo estivesse envolvido com drogas e a prática de roubos.
01 - Ednaldo Gomes Monteiro, de 17 anos, o “Pequeno” que residia na Rua Tenente José Dias (Timbaúbas), foi morto a tiros quando passava na Rua Raimundo de Freitas naquele bairro. Dele se aproximaram dois homens em uma moto, sendo um apelidado por “Neguinho” e o motivo deve ter sido dívidas com traficantes de drogas
02 – Eugênio Ferreira da Silva, de 33, que residia na Rua 7 de Setembro (Pio XII), foi morto a golpes de facão por Paulo Marques dos Santos, de 22 anos, na Praça da Capelinha em frente a Escola José Marrocos. Ele travou luta corporal e teve as mãos decepadas ao tentar se defende. Paulo mora na Rua Domingos Sávio e foi preso com o facão, apontando como motivo rixas antigas.
06 – Geyson Wanuncio Parente Alencar, de 19 anos, vendedor da Feirinha da Troca, ia para casa na Rua Manoel Cassimiro quando foi alvejado a tiros na Rua Socorro Norões Mota (Triângulo) por dois homens em uma moto. Ele caiu de sua moto e morreu no local deixando sua esposa com um bebê de 15 dias.
07 – Anderson da Silva, de 28 anos, que residia na Rua do Limoeiro, 2276 (Pirajá), foi morto a tiros em uma borracharia no cruzamento da Avenida Castelo Branco com a Rua Santa Isabel (Limoeiro), por um homem que ali chegou a pé. Ele respondia inquéritos policiais por furto, roubo, ameaça e crime contra a administração pública.
17 - Joandeson Lourenço da Silva, de 20 anos, o “Pinto” que residia na Rua João Marcelino (Pio XII), foi morto a tiros no cruzamento da Rua Frei Ibiapina com a Avenida Carlos Cruz daquele bairro tendo como autor um homem que trafegava numa moto. A vítima respondia por furto qualificado e um porte ilegal de arma de fogo.
18 - Francisco Horácio de Santana, de 35 anos, o Cachico, que residia no Frei Damião, foi morto com uma facada no pescoço desfechada por seu amigo apelidado por Buda quando trafegavam em uma carroça pela Rua Sebastiana Monteiro de Santana naquele bairro.
29 - Anne de Castro Saraiva, de 31 anos, que residia na Rua Rui Barbosa, 1609 (Timbaúbas) foi morta a tiros no cruzamento das ruas Ernestina Sobreira e Vereador Antonio Brás (Limoeiro). Ela trafegava na garupa de uma moto, cujo piloto saiu baleado igualmente por um homem que se aproximou em uma moto Honda Titan de cor preta. Ela já tinha sido presa com drogas e sua família atribuiu a autoria intelectual do crime a um ex-companheiro que se encontra preso.
Missa em homenagem a Marcelo Déda reúne Dilma, Lula e governadores do Nordeste
A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
acompanham o velório do governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), morto
nesta segunda-feira (2), no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, no
Palácio Museu Olímpio Campos, em Arac (Foto: Marcelle
Cristinne/Secom/Divulgação)
A missa de corpo presente do governador de Sergipe Marcelo Déda
(PT), morto nesta segunda-feira (2), no hospital Sírio Libanês, em São
Paulo, reuniu algumas das principais lideranças do PT, parlamentares e
governadores do Nordeste em Aracaju, capital sergipana.
O corpo de Déda é velado no Palácio Museu Olímpio Campos, onde deve ficar até a terça-feira (3), dia em que o corpo do petista deverá ser cremado em Salvador. O governador sofria de câncer no sistema gastrointestinal e estava afastado do cargo desde maio deste ano.
A presidente Dilma Rousseff chegou a Aracaju por volta das 18h (19h no horário de Brasília), em avião oficial, e participou da missa reservada para familiares e amigos.
Quem também foi a Aracaju foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez um discurso emocionado durante a missa para familiares e amigos, lembrando a boa oratória que marcava o governador sergipano.
"A Dilma chegou à Presidência e não esquecemos nunca o seu discurso. Do seu discurso para mim, em 1989, quando fui indicado a ser candidato. Você fez história. E essa história tem significado de vida não só para sua família, mas para todos nós, militantes políticos desse país", afirmou.
Outro ponto ressaltado pelo ex-presidente foi a capacidade de não ter inimigos em sua carreira e chegar a ser elogiado por opositores. "Você era um companheiro capaz de fazer amizade com muita gente, e isso o fez um homem querido aqui em Sergipe. Nós te devemos muito, você não nos deve nada. Vamos ser grato eternamente, que Deus te abençoe", disse Lula.
O velório também reuniu outros nomes fortes da política nordestina, como governadores, parlamentares e líderes de partidos.
"É muita dor para o povo de Sergipe, familiares e amigos. Como pai e homem público é uma pessoa ímpar, alegre, apaixonada pelos valores sergipanos. Foi um grande prefeito. Eu perco um grande amigo. Agora, como disse a presidente Dilma, é se virar no exemplo dele", o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).
O governador cearense Cid Gomes (PROS), também foi a Aracaju. "Sergipe perde uma pessoa que tinha espírito público, e o Brasil perde uma pessoa experiente num momento necessário. Já o Nordeste perde um defensor de suas causas", afirmou.
Fonte: UOL
O corpo de Déda é velado no Palácio Museu Olímpio Campos, onde deve ficar até a terça-feira (3), dia em que o corpo do petista deverá ser cremado em Salvador. O governador sofria de câncer no sistema gastrointestinal e estava afastado do cargo desde maio deste ano.
A presidente Dilma Rousseff chegou a Aracaju por volta das 18h (19h no horário de Brasília), em avião oficial, e participou da missa reservada para familiares e amigos.
Quem também foi a Aracaju foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que fez um discurso emocionado durante a missa para familiares e amigos, lembrando a boa oratória que marcava o governador sergipano.
"A Dilma chegou à Presidência e não esquecemos nunca o seu discurso. Do seu discurso para mim, em 1989, quando fui indicado a ser candidato. Você fez história. E essa história tem significado de vida não só para sua família, mas para todos nós, militantes políticos desse país", afirmou.
Outro ponto ressaltado pelo ex-presidente foi a capacidade de não ter inimigos em sua carreira e chegar a ser elogiado por opositores. "Você era um companheiro capaz de fazer amizade com muita gente, e isso o fez um homem querido aqui em Sergipe. Nós te devemos muito, você não nos deve nada. Vamos ser grato eternamente, que Deus te abençoe", disse Lula.
O velório também reuniu outros nomes fortes da política nordestina, como governadores, parlamentares e líderes de partidos.
"É muita dor para o povo de Sergipe, familiares e amigos. Como pai e homem público é uma pessoa ímpar, alegre, apaixonada pelos valores sergipanos. Foi um grande prefeito. Eu perco um grande amigo. Agora, como disse a presidente Dilma, é se virar no exemplo dele", o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).
O governador cearense Cid Gomes (PROS), também foi a Aracaju. "Sergipe perde uma pessoa que tinha espírito público, e o Brasil perde uma pessoa experiente num momento necessário. Já o Nordeste perde um defensor de suas causas", afirmou.
Fonte: UOL
Seca obriga moradores do RN a gastar bolsa família com água potável
O Rio Grande do Norte enfrenta a pior seca dos últimos 50 anos, com
estiagem que já dura mais de um ano em diversos municípios. A falta de
água mudou a rotina de milhares de famílias carentes do sertão, que são
obrigadas a gastar boa parte do dinheiro que recebem de programas
sociais para poder beber, cozinhar e tomar banho.
No dia 19 de setembro, a governadora Rosalba Ciarlini decretou "situação de emergência por seca" em 150 dos 167 municípios do estado. Em novembro, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) informou que nove municípios permanecem em colapso no abastecimento. A Caern admitiu que não tem condições de abastecer a cidade e suspendeu a emissão de faturas aos moradores.
Durante três dias, o G1 percorreu mais de 1.200 quilômetros de estradas de terra e asfalto para ver quais são as dificuldades enfrentadas pelos moradores de Ipueira, Carnaúba dos Dantas, Equador, São José do Seridó, Antônio Martins, Água Nova, João Dias, Pilões e São Francisco do Oeste. Além da morte de animais e da destruição de lavouras, foi possível ver que os moradores travam uma luta diária pela própria sobrevivência, em busca de água potável.
No domingo (1°), o "Fantástico" mostrou como funcionam os programas que combatem a seca no Nordeste com caminhões-pipa. O principal responsável pela distribuição no semiárido do Brasil é o Exército, que paga até R$ 15 mil mensais para cada um dos 6 mil pipeiros responsáveis por levar água a 835 cidades, em nove estados, para quase 4 milhões de pessoas. Só em 2013, o governo já gastou mais de meio bilhão de reais no programa. Em dois meses de investigação, a reportagem encontrou tanques imundos, água contaminada e entregas que nunca foram feitas.
´Há dois anos só tomo banho de cuia´Com o nível dos reservatórios muito baixos, a companhia estadual não consegue distribuir água em todas as cidades. Por conta disso, suspendeu a cobrança das contas em nove municípios, que dependem da chegada de caminhões-pipa. "Ninguém mais dá bom dia na rua. Primeiro a gente pergunta se tem água na caixa", disse a dona de casa Marina Medeiros, de 40 anos. Moradora de Ipueira, na região Seridó, ela busca água todas as manhãs nas caixas comunitárias abastecidas pelos caminhões.
A produtora de vendas Robéria Danielle Dantas, de 27 anos, mora em Carnaúba dos Dantas e conta que teve que readaptar a vida por conta da escassez de água. A maior mudança, segunda ela, é não ter conforto para tomar banho. "Não sei mais o que é tomar um banho decente. Há dois anos, só tomo banho de cuia."
Nas cidades visitadas, o G1 ouviu várias histórias de sofrimento por conta da seca. Brigas e ameaças na disputa por um lugar na fila dos chafarizes públicos e das caixas d´água comunitárias já viraram casos de polícia. Sem água nas torneiras, o pouco líquido que restou em poços e barragens é barrento e tem mau cheiro, impróprio para o consumo humano. Quem se arrisca e bebe, adoece facilmente. Os mais frágeis, como crianças e idosos, sofrem com diarreia e desidratação.
O comércio de água é o único beneficiado. Há relatos de quem largou a profissão para vender galões e barris a moradores. O vaivém de caminhões e motocicletas adaptadas para transportar água já faz parte da paisagem há quase um ano. Quem tem cisterna também precisa gastar dinheiro para encher os reservatórios. Quem não tem improvisa com baldes e barris. Vasilhas decoram as calçadas.
Carnaúba dos DantasA primeira parada do G1 foi em Carnaúba dos Dantas. A cidade fica na região Seridó, a 220 km de Natal. No caminho, a movimentação de carros-pipa já deu sinais do quanto a ajuda é necessária. A maioria dos veículos faz parte da Operação Pipa, programa de responsabilidade do Exército brasileiro.
Apesar de não tomar banho de chuveiro há dois anos, Robéria não é beneficiada pela Operação Pipa. Ela diz que a água trazida pelos militares não é boa para o consumo e que por isso prefere ligar para os entregadores e comprar a água que usa para beber, tomar banho e fazer as atividades domésticas, como lavar roupa, cuidar da limpeza da casa e cozinhar.
Esse não é o caso da dona de casa Ana Santana, de 45 anos. Mãe de três filhos, ela acorda cedo e faz várias viagens empurrando um carrinho de madeira até o chafariz público da cidade para pegar água. "Essa água verde que eu pego é fedida e não presta pra beber. Mesmo assim, é com ela que eu cozinho, dou banho nos meninos e preparo a nossa comida", relatou.
Segundo o coronel Marcelo Pellense, coordenador do programa no Rio Grande do Norte, em 113 municípios do estado caminhões foram contratados para levar água aos desassistidos pela seca. "Toda a água que o Exército fornece é potável, vem da própria Caern e é apropriada para o consumo. Nas cidades em que a Caern não tem de onde tirar água, são os municípios que indicam os mananciais. A cada 30 dias, as prefeituras precisam nos enviar relatórios de análise da qualidade da água", ressaltou o oficial.
De acordo com o coronel Josenildo Acioli, coordenador da Defesa Civil no Rio Grande do Norte, o estado mantém caminhões-pipa em 24 municípios que não fazem parte da lista dos 113 que já são assistidos pelo Exército. Segundo ele, a água oferecida à população também é apropriada para o consumo.
Ainda de acordo com Acioli, a água que é fornecida gratuitamente para essas 24 cidades (incluindo João Dias, Pilões e São Francisco do Oeste) pode acabar. Para evitar que isso ocorra – uma vez que só há recursos para garantir o fornecimento até o fim de janeiro de 2014 – o órgão está apelando ao governo federal.
"Protocolamos em outubro, junto à Secretaria Nacional da Defesa Social, um pedido de mais recursos. Ainda não tivemos resposta, mas precisamos prorrogar nosso programa de atendimento por pelo menos mais seis meses. Para isso, são necessários R$ 9,2 milhões", afirmou Acioli.
´Tive dor de barriga, diarreia´Ana Santana contou que certa vez, sem dinheiro para comprar água potável, precisou beber a água que apanhou no chafariz. "Tive dor de barriga, diarreia. Fui bater no posto de saúde. Lá em casa, todo mundo adoeceu", disse a dona de casa.
Apesar da situação caótica, há quem lucre com a falta d´água. Aldo Dantas, de 35 anos, trabalha desde a adolescência como marceneiro. Porém, faz dois anos que trocou de profissão. "Com madeira, eu trabalhava para os outros e ganhava um salário mínimo. Com os descontos, ficava com uns R$ 500 para passar o mês. Agora, como entregador de água, sou meu próprio patrão e ganho R$ 800 livres de desconto", revelou.
Aldo diz que não faltam clientes na cidade. O único gasto é abastecer sua motocicleta. Ao veículo, ele adaptou um reboque para puxar uma carroça que leva um galão com 240 litros de água, que ele diz ser de Natal e comprado de um atravessador. "É boa, quase mineral. Se a entrega for aqui na cidade mesmo, custa R$ 18. Se for na zona rural, mais afastada, cobro R$ 23", contou.
IpueiraEm Ipueira, cidade que também fica no Seridó potiguar, os problemas com a falta d´água se repetem. O colapso no abastecimento levou a prefeitura a instituir um "cartão vale água". Com ele, cada residência tem direito a 120 litros de água potável por semana. O controle passou a vigorar há três meses e já virou caso de polícia. Osawa Brasil, servidor público que controla a distribuição de água potável, já foi ameaçado de levar uma surra por um morador.
Ipueira está com colapso no abastecimento desde agosto. A Caern diz que o abastecimento só será normalizado quando tiver capacidade de retirar água das barragens da região.
São José do SeridóQuatro quilômetros é a distância que separa a população de São José do Seridó do sonho de acabar com a constante falta d´água. A tubulação do novo sistema adutor da cidade era para ter sido entregue no dia 19 de novembro do ano passado, mas um erro no projeto atrasou a conclusão da obra. Segundo a Caern, o novo sistema de captação, adução, tratamento e reservação do sistema de abastecimento de São José deve ser concluído em setembro de 2014.
A Caern explicou que, durante a execução do projeto, a empresa contratada observou que a geologia do solo, bastante rochoso, impedia o andamento do plano original. Por isso, em setembro, a obra foi suspensa para uma readequação. As modificações foram enviadas à Fundação Nacional de Saúde (Funasa), responsável pela análise e liberação dos recursos, em novembro do ano passado.
Essa readequação vai custar R$ 400 mil a mais na obra. "Originalmente, os recursos tinham a ordem de R$ 2,7 milhões, e com a readequação foram para R$ 3,1 milhões, tendo sido executado R$ 1 milhão na construção de uma adutora por gravidade, que está hoje 70% concluída. O dinheiro a ser liberado será usado para finalizar essa adutora e, ainda, a execução de dois reservatórios elevados, uma Estação de Tratamento de Esgotos e uma adutora por recalque", diz a Caern em nota emitida por sua assessoria de imprensa.
Adutoras, barragens, cisternas e dessalinizadoresA assessoria de comunicação do governo do estado informou que a governadora Rosalba Ciarlini preside o Comitê Gestor de Avaliação e de Combate à Seca, que semanalmente se reúne para monitorar a execução das ações estratégicas realizadas com o apoio das secretarias estaduais, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. Dentro das ações, está a construção de mais de 700 quilômetros de adutoras, 3.400 barragens submersas e 17 mil cisternas, além da recuperação de 60 dessalinizadores e da perfuração de mais de 200 poços em vários municípios.
A comunicação do governo citou como exemplo um incremento de mais 22 quilômetros de adutora. A perfuração de outros 12 poços no Sistema Adutor Monsenhor Expedito deve passar a fornecer, nos próximos meses, uma oferta de 750 metros cúbicos a mais de água por hora, um aumento de aproximadamente 50% na produção, que deverá beneficiar mais de 240 mil pessoas em 30 municípios da região central e agreste do Rio Grande do Norte.
Quando entrar em operação, a adutora Monsenhor Expedito deve fornecer 2.200 metros cúbicos de água por hora, dobrando sua capacidade. A previsão é que neste mês a obra inicie sua fase de testes e seja inaugurada em janeiro de 2014.
No dia 28 de novembro, foi publicada no Diário Oficial da União a transferência de R$ 13,5 milhões do governo federal para o estado poder contratar obras da adutora de engate rápido em Pau dos Ferros, na região oeste. Com a publicação, o governo afirmou que será iniciado o processo de contratação da empresa que vai realizar as obras da adutora em caráter emergencial. "Os recursos serão liberados pelo Ministério da Integração, através da Defesa Civil Nacional, para uma conta específica da Defesa Civil Estadual, que é vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Sejuc)", diz a assessoria do Caern.
"Pelo projeto, a captação da água será na cidade de Itaú, a partir da adutora do alto oeste, do subsistema Santa Cruz-Apodi. A adutora, que terá 43 quilômetros de extensão, levará água até o município de Pau dos Ferros, beneficiando diretamente 28 mil pessoas residentes na cidade e indiretamente 200 mil pessoas dos municípios vizinhos, que também usufruem da água de Pau dos Ferros", acrescentou a assessoria.
Fonte: G1
No dia 19 de setembro, a governadora Rosalba Ciarlini decretou "situação de emergência por seca" em 150 dos 167 municípios do estado. Em novembro, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) informou que nove municípios permanecem em colapso no abastecimento. A Caern admitiu que não tem condições de abastecer a cidade e suspendeu a emissão de faturas aos moradores.
Durante três dias, o G1 percorreu mais de 1.200 quilômetros de estradas de terra e asfalto para ver quais são as dificuldades enfrentadas pelos moradores de Ipueira, Carnaúba dos Dantas, Equador, São José do Seridó, Antônio Martins, Água Nova, João Dias, Pilões e São Francisco do Oeste. Além da morte de animais e da destruição de lavouras, foi possível ver que os moradores travam uma luta diária pela própria sobrevivência, em busca de água potável.
No domingo (1°), o "Fantástico" mostrou como funcionam os programas que combatem a seca no Nordeste com caminhões-pipa. O principal responsável pela distribuição no semiárido do Brasil é o Exército, que paga até R$ 15 mil mensais para cada um dos 6 mil pipeiros responsáveis por levar água a 835 cidades, em nove estados, para quase 4 milhões de pessoas. Só em 2013, o governo já gastou mais de meio bilhão de reais no programa. Em dois meses de investigação, a reportagem encontrou tanques imundos, água contaminada e entregas que nunca foram feitas.
´Há dois anos só tomo banho de cuia´Com o nível dos reservatórios muito baixos, a companhia estadual não consegue distribuir água em todas as cidades. Por conta disso, suspendeu a cobrança das contas em nove municípios, que dependem da chegada de caminhões-pipa. "Ninguém mais dá bom dia na rua. Primeiro a gente pergunta se tem água na caixa", disse a dona de casa Marina Medeiros, de 40 anos. Moradora de Ipueira, na região Seridó, ela busca água todas as manhãs nas caixas comunitárias abastecidas pelos caminhões.
A produtora de vendas Robéria Danielle Dantas, de 27 anos, mora em Carnaúba dos Dantas e conta que teve que readaptar a vida por conta da escassez de água. A maior mudança, segunda ela, é não ter conforto para tomar banho. "Não sei mais o que é tomar um banho decente. Há dois anos, só tomo banho de cuia."
Nas cidades visitadas, o G1 ouviu várias histórias de sofrimento por conta da seca. Brigas e ameaças na disputa por um lugar na fila dos chafarizes públicos e das caixas d´água comunitárias já viraram casos de polícia. Sem água nas torneiras, o pouco líquido que restou em poços e barragens é barrento e tem mau cheiro, impróprio para o consumo humano. Quem se arrisca e bebe, adoece facilmente. Os mais frágeis, como crianças e idosos, sofrem com diarreia e desidratação.
O comércio de água é o único beneficiado. Há relatos de quem largou a profissão para vender galões e barris a moradores. O vaivém de caminhões e motocicletas adaptadas para transportar água já faz parte da paisagem há quase um ano. Quem tem cisterna também precisa gastar dinheiro para encher os reservatórios. Quem não tem improvisa com baldes e barris. Vasilhas decoram as calçadas.
Carnaúba dos DantasA primeira parada do G1 foi em Carnaúba dos Dantas. A cidade fica na região Seridó, a 220 km de Natal. No caminho, a movimentação de carros-pipa já deu sinais do quanto a ajuda é necessária. A maioria dos veículos faz parte da Operação Pipa, programa de responsabilidade do Exército brasileiro.
Apesar de não tomar banho de chuveiro há dois anos, Robéria não é beneficiada pela Operação Pipa. Ela diz que a água trazida pelos militares não é boa para o consumo e que por isso prefere ligar para os entregadores e comprar a água que usa para beber, tomar banho e fazer as atividades domésticas, como lavar roupa, cuidar da limpeza da casa e cozinhar.
Esse não é o caso da dona de casa Ana Santana, de 45 anos. Mãe de três filhos, ela acorda cedo e faz várias viagens empurrando um carrinho de madeira até o chafariz público da cidade para pegar água. "Essa água verde que eu pego é fedida e não presta pra beber. Mesmo assim, é com ela que eu cozinho, dou banho nos meninos e preparo a nossa comida", relatou.
Segundo o coronel Marcelo Pellense, coordenador do programa no Rio Grande do Norte, em 113 municípios do estado caminhões foram contratados para levar água aos desassistidos pela seca. "Toda a água que o Exército fornece é potável, vem da própria Caern e é apropriada para o consumo. Nas cidades em que a Caern não tem de onde tirar água, são os municípios que indicam os mananciais. A cada 30 dias, as prefeituras precisam nos enviar relatórios de análise da qualidade da água", ressaltou o oficial.
De acordo com o coronel Josenildo Acioli, coordenador da Defesa Civil no Rio Grande do Norte, o estado mantém caminhões-pipa em 24 municípios que não fazem parte da lista dos 113 que já são assistidos pelo Exército. Segundo ele, a água oferecida à população também é apropriada para o consumo.
Ainda de acordo com Acioli, a água que é fornecida gratuitamente para essas 24 cidades (incluindo João Dias, Pilões e São Francisco do Oeste) pode acabar. Para evitar que isso ocorra – uma vez que só há recursos para garantir o fornecimento até o fim de janeiro de 2014 – o órgão está apelando ao governo federal.
"Protocolamos em outubro, junto à Secretaria Nacional da Defesa Social, um pedido de mais recursos. Ainda não tivemos resposta, mas precisamos prorrogar nosso programa de atendimento por pelo menos mais seis meses. Para isso, são necessários R$ 9,2 milhões", afirmou Acioli.
´Tive dor de barriga, diarreia´Ana Santana contou que certa vez, sem dinheiro para comprar água potável, precisou beber a água que apanhou no chafariz. "Tive dor de barriga, diarreia. Fui bater no posto de saúde. Lá em casa, todo mundo adoeceu", disse a dona de casa.
Apesar da situação caótica, há quem lucre com a falta d´água. Aldo Dantas, de 35 anos, trabalha desde a adolescência como marceneiro. Porém, faz dois anos que trocou de profissão. "Com madeira, eu trabalhava para os outros e ganhava um salário mínimo. Com os descontos, ficava com uns R$ 500 para passar o mês. Agora, como entregador de água, sou meu próprio patrão e ganho R$ 800 livres de desconto", revelou.
Aldo diz que não faltam clientes na cidade. O único gasto é abastecer sua motocicleta. Ao veículo, ele adaptou um reboque para puxar uma carroça que leva um galão com 240 litros de água, que ele diz ser de Natal e comprado de um atravessador. "É boa, quase mineral. Se a entrega for aqui na cidade mesmo, custa R$ 18. Se for na zona rural, mais afastada, cobro R$ 23", contou.
IpueiraEm Ipueira, cidade que também fica no Seridó potiguar, os problemas com a falta d´água se repetem. O colapso no abastecimento levou a prefeitura a instituir um "cartão vale água". Com ele, cada residência tem direito a 120 litros de água potável por semana. O controle passou a vigorar há três meses e já virou caso de polícia. Osawa Brasil, servidor público que controla a distribuição de água potável, já foi ameaçado de levar uma surra por um morador.
Ipueira está com colapso no abastecimento desde agosto. A Caern diz que o abastecimento só será normalizado quando tiver capacidade de retirar água das barragens da região.
São José do SeridóQuatro quilômetros é a distância que separa a população de São José do Seridó do sonho de acabar com a constante falta d´água. A tubulação do novo sistema adutor da cidade era para ter sido entregue no dia 19 de novembro do ano passado, mas um erro no projeto atrasou a conclusão da obra. Segundo a Caern, o novo sistema de captação, adução, tratamento e reservação do sistema de abastecimento de São José deve ser concluído em setembro de 2014.
A Caern explicou que, durante a execução do projeto, a empresa contratada observou que a geologia do solo, bastante rochoso, impedia o andamento do plano original. Por isso, em setembro, a obra foi suspensa para uma readequação. As modificações foram enviadas à Fundação Nacional de Saúde (Funasa), responsável pela análise e liberação dos recursos, em novembro do ano passado.
Essa readequação vai custar R$ 400 mil a mais na obra. "Originalmente, os recursos tinham a ordem de R$ 2,7 milhões, e com a readequação foram para R$ 3,1 milhões, tendo sido executado R$ 1 milhão na construção de uma adutora por gravidade, que está hoje 70% concluída. O dinheiro a ser liberado será usado para finalizar essa adutora e, ainda, a execução de dois reservatórios elevados, uma Estação de Tratamento de Esgotos e uma adutora por recalque", diz a Caern em nota emitida por sua assessoria de imprensa.
Adutoras, barragens, cisternas e dessalinizadoresA assessoria de comunicação do governo do estado informou que a governadora Rosalba Ciarlini preside o Comitê Gestor de Avaliação e de Combate à Seca, que semanalmente se reúne para monitorar a execução das ações estratégicas realizadas com o apoio das secretarias estaduais, do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil. Dentro das ações, está a construção de mais de 700 quilômetros de adutoras, 3.400 barragens submersas e 17 mil cisternas, além da recuperação de 60 dessalinizadores e da perfuração de mais de 200 poços em vários municípios.
A comunicação do governo citou como exemplo um incremento de mais 22 quilômetros de adutora. A perfuração de outros 12 poços no Sistema Adutor Monsenhor Expedito deve passar a fornecer, nos próximos meses, uma oferta de 750 metros cúbicos a mais de água por hora, um aumento de aproximadamente 50% na produção, que deverá beneficiar mais de 240 mil pessoas em 30 municípios da região central e agreste do Rio Grande do Norte.
Quando entrar em operação, a adutora Monsenhor Expedito deve fornecer 2.200 metros cúbicos de água por hora, dobrando sua capacidade. A previsão é que neste mês a obra inicie sua fase de testes e seja inaugurada em janeiro de 2014.
No dia 28 de novembro, foi publicada no Diário Oficial da União a transferência de R$ 13,5 milhões do governo federal para o estado poder contratar obras da adutora de engate rápido em Pau dos Ferros, na região oeste. Com a publicação, o governo afirmou que será iniciado o processo de contratação da empresa que vai realizar as obras da adutora em caráter emergencial. "Os recursos serão liberados pelo Ministério da Integração, através da Defesa Civil Nacional, para uma conta específica da Defesa Civil Estadual, que é vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Sejuc)", diz a assessoria do Caern.
"Pelo projeto, a captação da água será na cidade de Itaú, a partir da adutora do alto oeste, do subsistema Santa Cruz-Apodi. A adutora, que terá 43 quilômetros de extensão, levará água até o município de Pau dos Ferros, beneficiando diretamente 28 mil pessoas residentes na cidade e indiretamente 200 mil pessoas dos municípios vizinhos, que também usufruem da água de Pau dos Ferros", acrescentou a assessoria.
Fonte: G1



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