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domingo, 17 de novembro de 2013

Condenado a 12 anos de prisão, Pizzolato está na Itália,e pede julgamento


Veja a íntegra da carta de Henrique Pizzolato , pedindo julgamento na Itália
16/11/2013 - 20:08



Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 12 anos e sete meses de prisão por conta de seu envolvimento no esquema do mensalão, o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato fugiu para a Itália, de acordo com a Polícia Federal. Ele é o único dos 12 condenados do processo que tiveram pedido de execução de pena expedido pela Justiça ontem que não se apresentou à PF.
O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, considerado foragido pela Polícia Federal, enviou uma carta ao advogado que até então o representava, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, em que critica o julgamento do processo do mensalão e justifica sua saída do país como "legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento na Itália". Leia abaixo a íntegra da carta.
Após a divulgação da nota, o advogado informou que não representa mais Pizzolato, como mostrou o Jornal Hoje.
Íntegra da carta de Henrique Pizzolato:
“Minha vida foi moldada pelo principio da solidariedade que aprendi muito jovem quando convivi com os franciscanos e essa base sólida sempre norteou meus caminhos.
Nos últimos anos minha vida foi devassada e não existe nenhuma contradição em tudo que declarei quer seja em juízo ou nos eventos públicos que estão disponíveis na internet.
Em meados de 2012, exercendo meu livre direito de ir e vir, eu me encontrava no exterior acompanhando parente enfermo quando fui mais uma vez desrespeitado por setores da imprensa.
Após a condenação decidida em agosto retornei ao Brasil para votar nas eleições municipais e tinha a convicção de que no recurso eu teria êxito, pois existe farta documentação a comprovar minha inocência.
Qualquer pessoa que leia os documentos existentes no processo constata o que afirmo.
Mesmo com intensa divulgação na imprensa alternativa – aqui destaco as diversas edições da revista Retrato do Brasil – e por toda a internet, foi como se não existissem tais documentos, pois ficou evidente que a base de toda a ação penal tem como pilar, ou viga mestre, exatamente o dinheiro da empresa privada Visanet. Fui necessário para que o enredo fizesse sentido. A mentira do “dinheiro público” para condenar... Todos. Réus, partido, ideias, ideologia.
Minha decepção com a conduta agressiva daquele que deveria pugnar pela mais exemplar isenção, é hoje motivo de repulsa por todos que passaram a conhecer o impedimento que preconiza a Corte Interamericana de Direitos Humanos ao estabelecer a vedação de que um mesmo juiz atue em todas as fases do processo, a investigação, a aceitação e o julgamento, posto a influência negativa que contamina a postura daquele que julgará.
Sem esquecer o legítimo direito moderno de qualquer cidadão em ter garantido o recurso a uma corte diferente, o que me foi inapelavelmente negado.
Até desmembraram em inquéritos paralelos sigilosos para encobrir documentos, laudos e perícias que comprovam minha inocência, o que impediu minha defesa de atuar na plenitude das garantias constitucionais. E o cúmulo foi utilizarem contra mim um testemunho inidôneo.
Por não vislumbrar a mínima chance de ter julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália.
Agradeço com muita emoção a todos e todas que se empenharam com enorme sentimento de solidariedade cívica na defesa de minha inocência, motivadas em garantir o estado democrático de direito que a mim foi sumariamente negado”.
FONTE: Terra

Preso em Catanduvas, Fernandinho Beira-Mar planejava comprar aeronave


Beira-Mar, durante um julgamento no Rio, em março deste ano
Beira-Mar, durante um julgamento no Rio, em março deste ano Foto: Guilherme Pinto / Extra

Carolina Heringer

A total vigilância de todos os passos e diálogos do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, dentro da penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná, levou a direção da unidade a descobrir a articulação de mais um de seus planos. A gravação de conversas do criminoso com seus filhos, de acordo com o relatório de inteligência da unidade, revelou que a família articula a compra de uma aeronave. Para isso, estariam recebendo ajuda de um dos maiores traficantes do Paraguai. A distância entre Catanduvas e o país vizinho — algo em torno de 200 quilômetros — pode ser percorrida em cerca de uma hora por um avião ou um helicóptero.
O principal articulador do esquema, de acordo com as informações da unidade, é um dos filhos de Beira-Mar, Marcelo Fernando de Sá Costa, de 22 anos. O jovem, segundo informações de inteligência, aproveita-se de suas constantes idas ao Paraguai, onde teria laços com o traficante José Tomas Rojas Cañete, o Toma’i, que está preso. Mesmo atrás das grades, explica um senador paraguaio ouvido pelo EXTRA e que pediu para não ser identificado, Toma’i continua comandando sua quadrilha.
O diretor da penitenciária de Catanduvas, Fabrício Bordignon, não quis comentar as informações. Já os advogados do traficante disseram desconhecer tais conversas e também que o criminoso esteja planejando a compra de uma aeronave. Marcelo não foi localizado pelo EXTRA.
Fora do estado do Rio desde o início de 2003, Beira-Mar escreveu uma carta, de próprio punho, para os juízes corregedores de Catanduvas. O traficante está desde outubro de 2012 no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Na correspondência, o criminoso diz não suportar mais sua situação: “Excelências, psicologicamente cheguei ao meu limite. Não aguento mais sofrer calado, ser acusados de fatos que não cometi, ser tratado como inimigo nº 1 da sociedade (...)”, protesta o criminoso.


No texto, entregue aos juízes corregedores no início deste mês, Beira-Mar defende-se da acusação de ter sido o mandante dos ataques às sedes do AfroReggae nos complexos do Alemão e da Penha, como apontou o relatório de inteligência da direção da unidade onde está preso. Ele diz que vai provar sua inocência, e afirma que está sendo alvo de represália da direção de Catanduvas.
Na carta, o traficante nega que seja o chefe da principal facção criminosa do Rio, e diz que que é tratado como “Bin Laden brasileiro”, numa referência ao terrorista saudita.
‘A nossa fronteira está abandonada’
Para o juiz federal de Mato Grosso do Sul Odilon Oliveira, traficantes brasileiros escolhem ir para o Paraguai por causa do grande mercado que encontram lá. Ele também chama a atenção para a fragilidade das fronteiras.
EXTRA: Por que os traficantes brasileiros escolhem ir para o Paraguai?
É um mercado muito amplo. Tem espaço para todo mundo. O país é o segundo produtor de maconha do mundo. Além disso, eles agem livremente porque a nossa fronteira está totalmente abandonada.
EXTRA: Como é a atuação dos traficantes brasileiros no país vizinho?
Alguns já estão associados, inclusive, aos produtores da maconha. Isso é algo recente, de dois anos para cá. Não há mais o responsável por intermediar essa relação. Já a cocaína são os próprios paraguaios que buscam na Colômbia e levam para os brasileiros. Aí sim há essa interferência.


Leia mais: http://extra.globo.com/

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