Veja a íntegra da carta de Henrique Pizzolato , pedindo julgamento na Itália
16/11/2013 - 20:08
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 12 anos e sete meses de
prisão por conta de seu envolvimento no esquema do mensalão, o
ex-diretor de Marketing do
Banco do Brasil Henrique Pizzolato fugiu para a Itália, de acordo com a
Polícia Federal. Ele é o único dos 12 condenados do processo que
tiveram pedido de execução de pena expedido pela Justiça ontem que não
se apresentou à PF.
O ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, considerado foragido
pela Polícia Federal, enviou uma carta ao advogado que até então o
representava, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, em que critica o
julgamento do processo do mensalão e justifica sua saída do país como
"legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento na Itália".
Leia abaixo a íntegra da carta.
Após a divulgação da nota, o advogado informou que não representa mais Pizzolato, como mostrou o Jornal Hoje.
Íntegra da carta de Henrique Pizzolato:
“Minha vida foi moldada pelo principio da solidariedade que aprendi
muito jovem quando convivi com os franciscanos e essa base sólida sempre
norteou meus caminhos.
Nos últimos anos minha vida foi devassada e não existe nenhuma
contradição em tudo que declarei quer seja em juízo ou nos eventos
públicos que estão disponíveis na internet.
Em meados de 2012, exercendo meu livre direito de ir e vir, eu me
encontrava no exterior acompanhando parente enfermo quando fui mais uma
vez desrespeitado por setores da imprensa.
Após a condenação decidida em agosto retornei ao Brasil para votar nas
eleições municipais e tinha a convicção de que no recurso eu teria
êxito, pois existe farta documentação a comprovar minha inocência.
Qualquer pessoa que leia os documentos existentes no processo constata o que afirmo.
Mesmo com intensa divulgação na imprensa alternativa – aqui destaco as
diversas edições da revista Retrato do Brasil – e por toda a internet,
foi como se não existissem tais documentos, pois ficou evidente que a
base de toda a ação penal tem como pilar, ou viga mestre, exatamente o dinheiro da
empresa privada Visanet. Fui necessário para que o enredo fizesse
sentido. A mentira do “dinheiro público” para condenar... Todos. Réus,
partido, ideias, ideologia.
Minha decepção com a conduta agressiva daquele que deveria pugnar pela
mais exemplar isenção, é hoje motivo de repulsa por todos que passaram a
conhecer o impedimento que preconiza a Corte Interamericana de Direitos
Humanos ao estabelecer a vedação de que um mesmo juiz atue em todas as
fases do processo, a investigação, a aceitação e o julgamento, posto a
influência negativa que contamina a postura daquele que julgará.
Sem esquecer o legítimo direito moderno de qualquer cidadão em ter garantido o recurso a uma corte diferente, o que me foi inapelavelmente negado.
Até desmembraram em inquéritos paralelos sigilosos para encobrir
documentos, laudos e perícias que comprovam minha inocência, o que
impediu minha defesa de atuar na plenitude das garantias
constitucionais. E o cúmulo foi utilizarem contra mim um testemunho
inidôneo.
Por não vislumbrar a mínima chance de ter julgamento afastado de
motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi
consciente e voluntariamente fazer valer meu legítimo direito de
liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não
se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália.
Agradeço com muita emoção a todos e todas que se empenharam com enorme
sentimento de solidariedade cívica na defesa de minha inocência,
motivadas em garantir o estado democrático de direito que a mim foi
sumariamente negado”.
FONTE: TerraPreso em Catanduvas, Fernandinho Beira-Mar planejava comprar aeronave

A total vigilância de todos os passos e diálogos do traficante Luiz
Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, dentro da penitenciária
federal de Catanduvas, no Paraná, levou a direção da unidade a descobrir
a articulação de mais um de seus planos. A gravação de conversas do
criminoso com seus filhos, de acordo com o relatório de inteligência da
unidade, revelou que a família articula a compra de uma aeronave. Para
isso, estariam recebendo ajuda de um dos maiores traficantes do
Paraguai. A distância entre Catanduvas e o país vizinho — algo em torno
de 200 quilômetros — pode ser percorrida em cerca de uma hora por um
avião ou um helicóptero.
O principal articulador do esquema, de acordo com as informações da
unidade, é um dos filhos de Beira-Mar, Marcelo Fernando de Sá Costa, de
22 anos. O jovem, segundo informações de inteligência, aproveita-se de
suas constantes idas ao Paraguai, onde teria laços com o traficante José
Tomas Rojas Cañete, o Toma’i, que está preso. Mesmo atrás das grades,
explica um senador paraguaio ouvido pelo EXTRA e que pediu para não ser
identificado, Toma’i continua comandando sua quadrilha.
O diretor da penitenciária de Catanduvas, Fabrício Bordignon, não quis
comentar as informações. Já os advogados do traficante disseram
desconhecer tais conversas e também que o criminoso esteja planejando a
compra de uma aeronave. Marcelo não foi localizado pelo EXTRA.
Fora do estado do Rio desde o início de 2003, Beira-Mar escreveu uma
carta, de próprio punho, para os juízes corregedores de Catanduvas. O
traficante está desde outubro de 2012 no Regime Disciplinar Diferenciado
(RDD). Na correspondência, o criminoso diz não suportar mais sua
situação: “Excelências, psicologicamente cheguei ao meu limite. Não
aguento mais sofrer calado, ser acusados de fatos que não cometi, ser
tratado como inimigo nº 1 da sociedade (...)”, protesta o criminoso.
No texto, entregue aos juízes corregedores no início deste mês,
Beira-Mar defende-se da acusação de ter sido o mandante dos ataques às
sedes do AfroReggae nos complexos do Alemão e da Penha, como apontou o
relatório de inteligência da direção da unidade onde está preso. Ele diz
que vai provar sua inocência, e afirma que está sendo alvo de
represália da direção de Catanduvas.
Na carta, o traficante nega que seja o chefe da principal facção
criminosa do Rio, e diz que que é tratado como “Bin Laden brasileiro”,
numa referência ao terrorista saudita.
‘A nossa fronteira está abandonada’
Para o juiz federal de Mato Grosso do Sul Odilon Oliveira, traficantes
brasileiros escolhem ir para o Paraguai por causa do grande mercado que
encontram lá. Ele também chama a atenção para a fragilidade das
fronteiras.
EXTRA: Por que os traficantes brasileiros escolhem ir para o Paraguai?
É um mercado muito amplo. Tem espaço para todo mundo. O país é o segundo
produtor de maconha do mundo. Além disso, eles agem livremente porque a
nossa fronteira está totalmente abandonada.
EXTRA: Como é a atuação dos traficantes brasileiros no país vizinho?
Alguns já estão associados, inclusive, aos produtores da maconha. Isso é
algo recente, de dois anos para cá. Não há mais o responsável por
intermediar essa relação. Já a cocaína são os próprios paraguaios que
buscam na Colômbia e levam para os brasileiros. Aí sim há essa
interferência.
Leia mais: http://extra.globo.com/

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