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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Temer comandou acerto de propina, afirma delator

Um ex-executivo da Odebrecht afirmou em delação premiada que o presidente Michel Temer comandou em 2010, quando era candidato a vice-presidente, uma reunião em São Paulo em que se acertou o pagamento de US$ 40 milhões de propina relativos a 5% de um contrato da empreiteira com a estatal Petrobras.

Em termo por escrito entregue aos investigadores e em depoimento gravado em vídeo, Márcio Faria da Silva diz que o encontro foi no escritório político de Temer, no Alto de Pinheiros, no dia 15 de julho, às 11h30.

O então presidente da Odebrecht Engenharia Industrial, braço da empreiteira responsável por obras industriais, disse ter ficado impressionado com a naturalidade com que a propina foi cobrada. Ele relata que além de Temer, que se sentou à "cabeceira da mesa", participaram da reunião Rogério Araújo, outro executivo da Odebrecht, e os então deputados Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN), todos do PMDB, além do lobista João Augusto Henriques.

"Foi a única vez em que estive com Michel Temer e Henrique Eduardo Alves, e fiquei impressionado pela informalidade com que se tratou na reunião do tema 'contribuição partidária', que na realidade era pura propina", escreveu Faria no termo.

Outros delatores confirmaram a versão, com a apresentação de documentos de pagamentos no Brasil e no exterior. Em dezembro, a "Folha de S.Paulo" revelou que o ex-executivo havia citado a presença de Temer em 2010 em reunião para tratar de doações à campanha do PMDB em troca de facilitar a atuação da empreiteira na Petrobras. O contrato era no âmbito do PAC SMS, da segurança ambiental da estatal em dez países.

No despacho que pede abertura de investigação sobre o senador Humberto Costa (PT-PE) e outros envolvidos em suposta corrupção envolvendo o programa PAC SMS, a Procuradoria-Geral da República cita artigo da Constituição que veda a investigação do presidente da República na vigência de seu mandato sobre atos estranhos ao exercício de suas funções.

DN Online

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