O ex-governador de Minas Gerais e atual senador pelo PSDB, Aécio Neves, cedeu, entre 2003 e 2010, aeronaves do estado para deslocamentos de políticos, celebridades, empresários e outras pessoas de fora da administração pública. A denúncia foi publicada pelo jornal “Folha de S. Paulo”, neste domingo (8).
Entre os beneficiários estão o apresentador Luciano Huck e a dupla Sandy e Júnior, em 2004. Além disso, os atores José Wilker e Milton Gonçalves, além do ex-executivo da rede Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, também utilizaram aviões do estado para deslocamento. O tucano afirma, por meio de sua assessoria, que a legislação estabelece apenas diretrizes, que os voos foram regulares e atenderam a interesses do Estado.
“Dias antes de deixar o governo, em março de 2010, Aécio também cedeu o helicóptero para que o então presidente do grupo Abril, Roberto Civita (morto em 2013) e sua mulher, Maria Antônia, visitassem o Instituto Inhotim, museu de arte contemporânea do empresário Bernardo Paz em Brumadinho (53 km de Belo Horizonte)”, diz o jornal.
Além disso, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira também aparece nos registros. Ele usou três vezes o helicóptero para deslocamentos na capital mineira e outras três vezes jatos do estado para viagens entre Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro.
Os dados obtidos pelo jornal apontam que, dos 1,4 mil voos solicitados em nome do tucano entre 2003 e 2010, 198 não contaram com a presença de Aécio ou de outros agentes públicos autorizados a utilizar as aeronaves.
A reportagem ainda aponta que, durante o governo de Antônio Anastasia (PSDB), houve ao menos 60 voos sem a presença de autoridades estaduais. “Há deslocamentos para o próprio Aécio, para políticos, magistrados estaduais, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e novamente para Ricardo Teixeira”, explica o texto.
Durante o primeiro ano da gestão do atual governador Fernando Pimentel (PT), apenas um voo foi cedido para uma autoridade fora da administração do estado. O beneficiário foi o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski.
OUTRO LADO
A assessoria de imprensa de Aécio Neves afirmou que "todos os voos foram regulares, dentro das normas legais e atenderam a interesses da administração do Estado".
Apesar de a legislação definir que duas das aeronaves se destinam aos deslocamentos do governador, elas não se limitam "ao seu uso pessoal exclusivo, compreendendo, portanto, o atendimento de demandas e necessidades do chefe do Executivo", diz a nota enviada pelo tucano.
A assessoria afirma que Aécio determinou que todos registros de voos trouxessem os nomes dos passageiros, assegurando transparência.
Sobre a cessão do helicóptero para a gravação do "Quebrando a Rotina", a assessoria diz que o Estado ofereceu apoio de infraestrutura "para uma grande ação de divulgação turística, no caso, a divulgação de um roteiro turístico, a Estrada Real".
Da mesma forma, segue a nota, o transporte de Civita "atendeu o objetivo de divulgar o Museu de Arte Contemporânea apresentando-o a um dos maiores empresários de comunicação do país". A assessoria enviou uma reportagem sobre o museu publicada posteriormente na revista "Veja".
Em relação à concessão de um jato para levar o empresário José Bonifácio Oliveira Sobrinho de BH ao Rio, a assessoria diz que o governo solicitou a colaboração do ex-executivo da Globo na definição de diretrizes para a TV Minas. Sobre o transporte dos atores Milton Gonçalves e José Wilker entre BH e o Rio, a razão seria a participação em ato contra a corrupção apoiado pelo governo de Minas.
Sobre as viagens do ex-presidente da CBF, a afirmação é a de que elas se deram "em atendimento a agendas com o governador à época da candidatura do Brasil para sediar os jogos da Copa de 2014".
A Comunicação da Globo enviou dados sobre a logística bancada pela emissora para o "Quebrando a Rotina", entre elas passagens aéreas e aluguel de helicópteros particulares. O uso da aeronave oficial oficial faria parte de um acordo de "facilidades de produção".
Também via Comunicação da Globo, o ator Milton Gonçalves afirmou não se lembrar da viagem. "Não uso nada que não seja legal e que todos possam saber. Se isso de fato ocorreu, basta comprovarem e me dizerem quanto foi o voo que eu pago", disse o ator.
A assessoria dos cantores Sandy e Júnior disse que como os dois foram convidados pelo programa, a logística coube ao "Caldeirão".
Boni afirmou que a pedido do governo estadual fez uma análise da TV Minas. "Não cobrei pela visita e nem pela minha opinião, por considerar uma contribuição à TV pública. Fui do Rio a BH pagando minha passagem. Na volta aceitei uma carona com o governador, que já vinha para o Rio", afirmou. O registro do governo mineiro, porém, indica que o empresário foi o único passageiro.
A assessoria do agora senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que os deslocamentos foram de autoridades que participaram de eventos ou reuniões no Estado e que as viagens cumpriram o disposto na legislação.
A assessoria de Fernando Pimentel disse que Lewandowski cumpriu agenda oficial em Belo Horizonte, tendo recebido o Colar do Mérito Judiciário Militar.
O presidente do STF e a Abril não se pronunciaram. A Folha não conseguiu falar com Ricardo Teixeira.
Fonte: Agência de Notícias
Publicado Por: Fábio Carvalho
Nenhum comentário:
Postar um comentário