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domingo, 23 de março de 2014

Juazeiro do Norte-CE: Dupla é presa após assalto em lotérica de Crato e brinca na delegacia


Demontier Tenório/// (Foto: Cícero Valério/Agência Miséria)
Cristiano já matou três e brinca na delegacia contando como foi o assalto ao lado de Zé Pinto. (Foto: Cícero Valério/Agência Miséria)
Dois homens foram presos no final da manhã deste sábado momentos após praticarem assaltos no interior da agência lotérica Boa Sorte Cariri, que funciona na Avenida Tomas Osterne, 2009-B (Bairro Vila Alta) em Crato. Cristiano Manoel Martins da Silva, de 32, e José Pinto de Sousa, de 27 anos, residem no bairro João Cabral e estavam em fuga para Juazeiro do Norte. Segundo testemunhas, por volta das 11 horas a dupla adentrou o estabelecimento com armas em punho anunciando o assalto e causando pânico aos clientes ali presentes.

Estes foram saqueados quando tomaram deles cerca de R$ 1,2 mil e quatro celulares. Com uma marreta, ainda tentaram quebrar vidraças e portas da lotérica e não obtiveram êxito quando as funcionárias se recusaram a abrir. Depois, fugiram em uma moto Honda Titan CG 150 de cor preta e sem placa licenciada em nome de Antonio Manoel Frutuoso e roubada sexta-feira em Juazeiro. A polícia foi avisada e um militar do Serviço de Inteligência do 2º BPM - que tinha ouvido na freqüência - foi quem se deparou com uma dupla apresentando as características dos acusados.
Polícia recuperou dinheiro e apreendeu dois revólveres, munições e celulares. (Foto: Cícero Valério/Agência Miséria)

Apesar de ouvir que Cristiano e Zé Pinto exibiram um revólver cada na lotérica, o PM decidiu abordá-los no semáforo da Avenida Leão Sampaio, em frente ao SENAI, e buscar o apoio de uma viatura do Ronda do Quarteirão que foi ao local com o Cabo César e os Soldados Pereira e Aquino. Os dois foram levados à 20ª Delegacia Regional de Polícia Civil, onde, sorridentes, contavam com detalhes como foi o assalto no município de Crato.

A dupla aparentava estar sob o efeito de substâncias entorpecentes. Cristiano disse que trabalha como pintor e reside na Rua Capitão Coimbra, 626, enquanto seu comparsa Zé Pinto falou ser crediarista e mora na Rua Farias Brito perto do cruzamento com a Pio Norões. Com os dois, a polícia recuperou o dinheiro e os celulares roubados e apreendeu dois revólveres calibres 32 e mais dez cartuchos intactos. O primeiro já responde três inquéritos por homicídios, outros três por furtos e cinco por portes ilegais de armas, danos e uso de drogas.
Moto usada no assalto não tinha placa e fora roubada no dia anterior. (Foto: Cícero Valério/Agência Miséria)

HISTÓRICO –
 No dia 16 de Junho de 2009, Cristiano lesionou com um cossoco Damião Domiciano da Silva, de 41 anos, residente na Rua Dom Bosco (Bairro Gizelia Pinheiro) em Crato. Os dois tomavam banho de sol na cadeia pública daquela cidade. Ele justificou ter ficado com raiva de Damião pelo fato deste ter assaltado a casa de sua mulher de onde levou um aparelho de som, um ventilador e uma TV de sua esposa. Como disse na época ao Miséria, a intenção era dar dez golpes para matá-lo.

Já no dia 3 de abril de 2011, voltou a ser preso no cruzamento das ruas Abel Sobreira e Coronel Antonio Fernandes (Pirajá) em Juazeiro. Cristiano estava com uma chave de fenda tentando abrir as portas de veículos ali estacionados. Mais recentemente, no dia 11 de janeiro, foi preso tentando furtar um veiculo Gol na feira livre de Barbalha. Populares notaram e aviaram a um policial à paisana que passava no local e acionou seus colegas do Ronda do Quarteirão. Cristiano disse que o carro era do seu tio, mas o dono do veículo falou que nem o conhecia.

Quanto a José Pinto de Sousa, este foi preso no dia 1º de fevereiro de 2008 no cruzamento das ruas Perpetua Carneiro da Cunha e Ozana Pereira (João Cabral) com quase 2 kg de maconha acompanhado de Laércio Gomes Tributino, então com 28 anos. Já no último dia 4 de agosto, ele estava armado com uma faca e queria matar sua própria mãe de 63 anos. Naquela data, a polícia descobriu contra o mesmo um mandado de prisão em aberto por furto e roubo.

Motoqueiro isenta PMs e diz que viu menor abrir caçamba









A auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, de 38 anos, caiu da caçamba do carro da PM e foi arrastada por 350 metros. (Foto: Reprodução)
Uma testemunha que prestou depoimento quinta-feira na 29ª DP (Madureira) contou que viu um adolescente abrir a fechadura da caçamba da viatura que “socorreu” a auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, de 38 anos. Vítima de um tiro que atravessou seu coração durante suposto confronto entre PMs e traficantes, no Morro da Congonha, em Madureira, a mulher caiu da caçamba do carro e foi arrastada por 350 metros.

Em depoimento ao qual O DIA teve acesso, essa testemunha, um homem que mora em Itaguaí, disse que foi à comunidade sozinho no último domingo para resgatar sua moto, que fora roubada. Ele falou que chegou pouco antes do tiroteio e ficou em uma padaria. Em seguida, ele teria visto moradores seguindo a viatura que entrou na comunidade e, apesar do clima tenso e não ser morador, foi ver o que acontecia. 

A testemunha afirma que viu a viatura passar com a caçamba fechada e que um grupo de menores seguiu o carro a pé, de bicicleta e de moto. Um rapaz negro, que, segundo o motoqueiro, seria menor, teria mexido na fechadura quando a viatura parou para pegar a rua principal de saída da favela.

O homem relatou ainda que, depois disso, viu a tampa da mala abrir e fechar quando o carro se movimentou, mas que o motorista não viu. A testemunha não sabia que lá dentro havia uma pessoa. Ele alega não ter nenhuma ligação ou conhecer os policiais.

Investigados por suspeita de terem feito os disparos, o tenente Rodrigo Medeiros Boaventura e o sargento Zaqueu de Jesus Pereira Bueno negaram em depoimento terem visto as vítimas durante o confronto. Além de Cláudia, também morreu o adolescente Willian Possidônio, 16, e foi baleado Ronald Felipe dos Santos. Este é apontado pelos PMs como um dos que participaram do confronto.

Parentes de Cláudia prestaram depoimento ontem. O advogado João Tancredo pedirá a inclusão deles no Programa de Proteção a Testemunhas.

Vítima parecia desmaiada

O cabo Gustavo Meirelles, que ajudou o subtenente Adir Serrano Machado a colocar a vítima na caçamba, declarou que ela aparentava estar “desmaiada” no momento do socorro. Segundo o laudo de necrópsia, ela morreu devido ao tiro.

O delegado Carlos Henrique Machado disse que os laudos devem sair terça-feira. Ele quer saber se a morte foi instantânea e o tipo de munição que a atingiu. “A única certeza é de que a moradora foi vítima da guerra que nós vivemos do tráfico contra a polícia”, disse o delegado, que vai fazer reconstituição do caso.

Alexandre criticou a soltura dos três PMs que arrastaram sua mulher. “É lamentável. Quem comete crime consegue habeas corpus. A soltura dos PMs dobra nosso medo. Se eu desse uma paulada em alguém, seria preso. Não há justiça para policiais”.

Fonte: O Dia

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