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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Gloria Maria desabafa: "Hoje tudo é racismo, assédio. O politicamente correto é um porre!"

Em sua estreia no mundo das lives, a apresentadora e jornalista Gloria Maria conversou com Joyce Pascowitch, do portal Glamurama. Durante a conversa, Gloria, que é uma das maiores jornalistas da história brasileira refletiu sobre o chamado “novo normal”, o período de confinamento – ela está há mais de 10 meses em casa – e temas como assédio e preconceito.

Gloria falou sobre como encara as discussões sobre assédio moral e sexual, que estão cada vez mais no centro do debate:

“Eu acho tudo isso um saco. Hoje tudo é racismo, preconceito, assédio. Até hoje, tenho meus câmeras, meus técnicos, que estão comigo há 40 anos, e todos me chamam de “neguinha”. Nunca me ofendi, nunca me senti discriminada. Eles me chamam de uma maneira amorosa e carinhosa. É claro que se falassem “ô, nega”, é outra coisa”, disse.

A seguir, a jornalista continuou sua reflexão sobre como encara as diferenças entre uma paquera e um assédio:

“Está chato. Estou mais de 40 anos na televisão, já fui paquerada muitas vezes, mas nunca me senti assediada moralmente. O assédio moral é algo claro, que não tem dubiedade. Não tem como você interpretar. O assédio te fere, é grosseiro, incomoda, desmoraliza. Agora, a paquera, pelo amor de Deus. Estou cansada desse negócio. Os homens estão com medo de paquerar. Eu quero ser paquerada ainda, estou viva! — ponderou.

“Existe uma cultura hoje que nada pode. Nós, mulheres, sabemos bem a diferença entre uma paquera e um assédio, um abuso sexual. Tem que ter uma diferenciação, não dá para generalizar tudo. O politicamente correto é um porre. Eu não sou politicamente correta e não vou ser, não adianta. Acredito que o politicamente correto é o caráter, a honestidade, é a sua capacidade de olhar para o outro. Esse mundo que a gente está vem muito da amargura das pessoas, não aceito. Nessa, eu não entro não.

A jornalista ainda falou sobre o conceito de “novo normal”:

“Viajei 40 anos sem parar e de repente estava em casa quietinha, observando. Vi coisas inacreditáveis, desamor, um mar de lama… Ou é novo, ou é normal, vamos ter que partir de novos olhares. Nada mudou, mas algumas pessoas se viram melhor, começaram a se observar. Será que é preciso uma pandemia para olhar para o outro? Isso é uma coisa da sua alma, não acredito nessa ajuda só porque é hora de ajudar. Ou você olha sempre para o outro, ou você não olha nunca” disse.

(República de Curitiba)

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