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| Foto Fabiane de Paula |
As emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) – que intensificam o aquecimento global ao reterem calor na atmosfera – saltaram 24% entre 2018 e 2023, exigindo medidas de mitigação a curto, médio e longo prazo. Nesse intervalo, o setor de Agropecuária e Uso da Terra tornou-se a maior fonte de poluição climática do Ceará.
Os dados são do novo Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Ceará, lançado na quarta-feira (11), pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), em evento na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
Conforme o relatório, o incremento desses gases na atmosfera contribui para o desequilíbrio energético do sistema climático e leva à maior frequência, intensidade e duração de eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas, inundações e ciclones tropicais.
Em 2023, as emissões líquidas de GEE atingiram 34,96 MtCO2e no Ceará, contra 28,1 MtCO2e em 2018. A sigla MtCO2e refere-se a “Milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente”, unidade de medida utilizada para quantificar grandes volumes de GEE.
O principal motor desse aumento, aponta o estudo, foi a conversão de áreas naturais em solos produtivos. O desmatamento para expansão agropecuária e áreas sem vegetação fez as emissões crescerem 172%, de 4,79 MtCO2e para 13,03 MtCO2e.
O Ceará também registrou uma redução drástica de formações florestais savânicas, típicas do bioma Caatinga, para dar lugar a atividades agropecuárias. Em 2023, mesmo que a cobertura florestal ainda fosse majoritária (67,8%), a agropecuária já ocupava 29% do território estadual.
Dentro das áreas destinadas ao uso produtivo, as pastagens abrangem 64% de todo o solo utilizado pela agropecuária no Estado, seguidas por áreas de agricultura (13,58%) e mosaicos de usos (22,3%).
A expansão dos pastos reflete o peso da pecuária bovina, cujas emissões por fermentação entérica (digestão do gado, que produz gás metano) e manejo de dejetos cresceram 16% na série histórica. Em 2023, bois e vacas foram os maiores contribuintes da área de rebanhos, liberando 5,66 MtCO2e na atmosfera (em 2018, foram 4,8 MtCO2e).
A partir dos dados, o relatório ressalta a urgência de políticas para conter o desmatamento ilegal e incentivar a recuperação de áreas degradadas. A transição para práticas de baixo carbono é essencial para que o Estado cumpra metas climáticas internacionais e ajude a deter o aquecimento global.
Com informações do Diário do Nordeste.