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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Jovem que teve mãos decepadas no interior do Ceará teme não conseguir se comunicar com mãe surda

Foto Ismael Soares.
Renascida e com as mãos reimplantadas após o ex-cunhado decepá-las em uma tentativa de feminicídio, a jovem Ana Clara Oliveira, de 21 anos, no início de sua recuperação, está ansiosa para o futuro, mas teme não conseguir se comunicar com a mãe, que é surda. Atualmente, ela só consegue mexer os dedos, e recuperar algum controle sobre os membros só deve acontecer entre seis meses e um ano.

"Minha força maior e meu combustível maior é a minha mãe", afirmou a cearense, em entrevista ao Diário do Nordeste nesta quarta-feira (20).

A recuperação da sua vida e autonomia, assim como o sentimento de voltar a se comunicar com a mãe, são o que movem a cearense moradora de Quixeramobim. Ela relatou que sua mãe nunca aprendeu linguagem de sinais, mas compartilha que as duas desenvolveram um modo único de comunicação, com gestos que somente mãe e filha entendem: "Não tem uma pessoa no mundo que ela entenda mais do que eu".

Na ambulância eu pensei assim: 'Meu Deus, eu nunca mais vou conseguir me comunicar com a minha mãe? Porque o meu medo maior era esse, né? Em nenhum momento eu senti medo de morrer. Óbvio que a gente tem medo de perder um membro, mas eu senti a presença de Deus tão forte que a todo mundo eu dizia: ‘Deus está comigo e eu não vou morrer'.

Quem faz o intermédio entre as duas é o padrasto, que já é considerado pai, José Airton Firmino, pois a mãe também tem dificuldades em fazer leitura labial.

Ana Clara está internada no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, desde a manhã do dia 1º de maio, horas após o então cunhado decepar as mãos dela e causar outros ferimentos profundos pelo corpo a golpes de foice. A barbárie foi feita a mando do irmão, o então companheiro da jovem, após uma discussão de casal que teve troca de xingamentos e uma pedra arremessada no carro do homem.

A jovem de 21 anos teve as mãos reimplantadas em uma cirurgia de cerca de 12 horas no IJF, com o envolvimento de 15 profissionais de diversas áreas da saúde. Hoje, ela celebra o dom de permanecer viva.

"Independentemente da situação, que é algo muito grave, graças a Deus eu estou me sentindo muito bem; em nenhum momento eu deixei isso me abalar, até porque eu preciso ter força para continuar a caminhada", desabafa ela, deitada no leito hospitalar, com esperança nos olhos.

Com informações do Diário do Nordeste.

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