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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Após 28 anos, filho leva acusado de matar mãe a júri popular em Milhã

Foto Arquivo pessoal 
Bruno Fernandes tinha dois anos quando a mãe, Ivaneide Barbosa Fernandes Silva, foi assassinada em Milhã, em 1998, no interior do Ceará. 28 depois, ele passou a integrar a assistência da acusação no processo contra o homem apontado como autor do crime, que ficou foragido por mais de duas décadas e ainda será julgado pelo Tribunal do Júri.

A reviravolta começou após a repercussão do feminicídio da jovem Ana Kévile, também no interior do Ceará. Ao acompanhar o caso, Bruno decidiu procurar o Ministério Público para saber se ainda era possível buscar justiça pelo assassinato da mãe. Foi então que descobriu que o processo continuava em andamento e que poderia atuar ao lado da acusação na ação penal, em junho deste ano.

Ivaneide Barbosa foi morta após ser atacada com dois golpes de faca. A vítima trabalhava em um bar da cidade, e o acusado havia comprado uma faca pouco antes de ferir a mulher na porta do estabelecimento, por volta das 21h30. O crime aconteceu há exatamente 28 anos, no dia 9 de julho de 1998.

A figura jurídica do assistente de acusação é prevista em qualquer ação do Ministério Público em que a vítima não pode se defender, podendo ser exercida por pais, cônjuges, filhos ou irmãos.

Descoberta do processo em andamento

Até pouco tempo, Bruno Fernandes e outros três filhos de Ivaneide acreditavam que, pelo tempo decorrido, o crime já havia prescrito. Quando um crime prescreve, o Estado não pode mais aplicar penas ao acusado.

No entanto, ele foi lembrado mais uma vez da própria tragédia familiar ao ler sobre Ana Kévile, que foi vítima de feminicídio em Deputado Irapuan Pinheiro, no interior do Ceará, no mês de abril.

“A Ana Kévile recusou a investida dele [o suspeito do crime] e foi assassinada. E a minha mãe também foi dessa maneira, embora na denúncia oferecida pelo Ministério Público não conste especificamente este motivo. Mas a minha família e a cidade inteira sabem o real motivo: que o réu, à época, tinha interesse nela e ela não queria”, afirmou Bruno em entrevista ao g1.

Com informações do G1 Ceará.

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