
O comerciário que trabalha numa loja de autopeças em Juazeiro, Romário Raoni Pereira Agostinho, de 41 anos, ficou preso na audiência de custódia realizada neste domingo. Às 04h30min de sábado, ele brigou com um grupo de pessoas na saída de estabelecimento na Avenida Plácido Castelo (Lagoa Seca) quando apanhou um Volkswagen Tiguan de cor preta e atropelou quatro pessoas.
No local, morreu o comerciante Airton Ferreira Rocha Neto, de 33 anos, o “Airton Neto” que residia na Rua Miguel Batista Ferreira (Bairro Eucaliptos) em Milagres, e era dono de um bar daquela cidade. Saíram feridos. Saíram feridos Amilton Pereira Rocha, Francisco Emanuel Ferreira Caetano – estava com o carro usado nos crimes – e Lucas Gabriel Gonzaga Sousa. Este último tem 23 anos, reside Sítio Cabeceiras em Milagres e segue internado no Hospital Regional do Cariri (HRC) em Juazeiro.
Os Delegados da Polícia Civil, Rafael Mota e Reni Rocha, autuaram Raoni em flagrante por homicídio doloso, três lesões corporais e apreenderam o veículo. Ontem, na audiência de custódia, a Promotora de Justiça, Anna Carolynna da Silva Almeida, pugnou pela conversão do flagrante em prisão preventiva para “assegurar a garantia da ordem pública, evitando-se sua reiteração delitiva”. O pedido foi aceito pelo Juiz de Direito, Fabricius Ferreira Silva, que o manteve preso.
Após briga generalizada, Raoni adentrou o veículo de um amigo dono de concessionária e atropelou o grupo abandonando o local no carro. Segundo os autos, o motivo da discussão foi a brincadeira que o carro de um era mais rápido que o outro se referindo ao Tiguan e Raoni não gostou dando início ao conflito. O amigo que estava com o mesmo ainda tentou tirá-lo da confusão quando o acusado apanhou o carro dele que estava perto e abalroou as pessoas, passando por cima da cabeça de Airton.
Após abandonar o veículo no bairro Lagoa Seca, ele foi até um imóvel no Residencial Nossa Senhora das Dores do Minha Casa Minha Vida (Betolandia). Raoni tentou fugir pulando muros, mas foi preso por policiais civis do Núcleo de Homicídios e Proteção à Pessoa (NHPP). Ele foi encontrado escondido na estrutura da caixa d’água de uma chácara no bairro Aeroporto. O mesmo disse que, inicialmente, tinha deixado o carro perto de um edifício residencial no bairro Lagoa Seca.
Todavia, o carro usado no atropelamento foi localizado pela Polícia Civil na Avenida Universitária (Bairro José Geraldo da Cruz) em Juazeiro. No seu depoimento no NHPP, Raoni disse ao delegado que estava muito embriagado e não recordava o que aconteceu. Lembrava apenas ter discutido com uma pessoa não recordando o motivo. Falou ainda que outros que estavam com essa pessoa partiram na sua direção, passando a agredi-lo chegando a esfregar o seu rosto no chão no momento em que caiu.
Acrescentou mais no depoimento à autoridade policial ter ido até o carro estacionado perto já movido por um “acesso de fúria” e a raiva o “cegou”. Raoni admitiu ter atropelado o grupo, mas “sem a intenção de matar”. Ele mora na Avenida Guanabara (Pirajá), usava tornozeleira eletrônica e já responde por lesões corporais, violência doméstica, desacato e crime contra a incolumidade pública. O corpo de Airton Neto foi sepultado neste domingo num clima de comoção em Milagres. Inclusive, muitos amigos e familiares depositaram flores em frente ao prédio onde funciona o seu bar.
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