CRATO NOTICIAS player

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

PDT declara apoio a Haddad ante "forças reacionárias", sem Ciro em palanque

O PDT anunciou nesta quarta-feira (10),que apoiará Fernando Haddad (PT) no segundo turno da eleição presidencial contra Jair Bolsonaro (PSL). A decisão foi tomada durante reunião da executiva nacional do partido, em Brasília.

No entanto, a legenda decidiu que o posicionamento servirá mais como uma declaração anti-Bolsonaro do que uma "carta branca" a Haddad. Não haverá demandas nem contrapartidas entre pedetistas e petistas.

Em nota, o PDT informou que manifesta "apoio crítico à candidatura de Fernando Haddad para evitar a vitória das forças mais reacionárias e atrasadas do Brasil e a derrocada da democracia".

No primeiro turno, o PDT concorreu à Presidência com Ciro Gomes, que ficou em terceiro lugar na disputa com 13,3 milhões de votos válidos, 12,47% do total.

Na reunião desta quarta, a Executiva não condicionou o apoio a Haddad a qualquer exigência de alteração no plano de governo do presidenciável. Nos últimos dias, porém, a campanha petista já vinha fazendo acenos aos pedetistas, oferecendo mudanças no seu programa se fosse necessário.

Segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, Ciro não fará campanha para Haddad, muito menos subir em seu palanque. Ele deve, inclusive, sair do país de férias com a família e só retornar ao Brasil para a votação do segundo turno, informou um presente à reunião de hoje.

Ciro Gomes preferiu não falar com a imprensa na chegada e na saída da reunião. "O presidente do partido falou por mim e pelo conjunto do partido. Abaixo o fascismo! Pela democracia!", falou o presidenciável, ao sair do encontro.

Questionado pelo UOL se o posicionamento dele era mais um ato contra Bolsonaro do que um apoio a Haddad, Ciro gritou "Abaixo a ditadura! Nunca mais de volta."

Segundo um pedetista, Lupi perguntou por diversas vezes se Ciro não queria falar à imprensa na saída, mas o candidato derrotado disse que não queria fazer propaganda para Haddad.
 
Críticas ao PT e a Haddad

Ao longo da campanha, o candidato pedetista sempre declarou que considera injusta, em termos legais, a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, ele fez diversas críticas à escolha de Fernando Haddad como representante do PT na disputa e chegou a chamá-lo de "poste.

Ciro também se posicionou como terceira via entre os "extremos" representados pela candidatura de Bolsonaro e pela chapa encabeçada pelo PT.

Nesta quarta, quando a reportagem perguntou se ele estava magoado com o PT, Ciro voltou repetir o discurso das últimas semanas: "que mágoa, rapaz? Que negócio de mágoa? Eu faço é política".

De acordo com uma pessoa presente à reunião, não apenas Ciro, mas outros integrantes da Executiva mostraram-se chateados com a forma como o PDT foi tratado pelo PT nos últimos meses. Segundo esse interlocutor, o apoio declarado a Haddad foi apenas para não poderem se atacados de terem "lavado as mãos" se um eventual governo de Bolsonaro romper com a Constituição Federal e princípios democráticos.

Embora tenha fechado apoio a Haddad, nem todos os pedetistas aceitaram o acordo de bom grado. No período das articulações políticas para este pleito de outubro, Ciro tentou articular uma aliança com o PT e, de acordo com ele próprio, chegou a ser convidado como vice de Lula, quando o ex-presidente ainda era pré-candidato. No entanto, as negociações não foram para frente, e o PT acabou isolando o PDT. O PSB, por exemplo, avaliou ficar com Ciro, mas, diante de articulações de Lula, se declarou "neutro".

No Nordeste, onde a centro-esquerda tem mais força em comparação a outras regiões, governadores petistas com alianças regionais com o PDT – parte eleita em primeiro turno – fizeram campanha para Haddad ou para ambos os candidatos. Coligada apenas com o Avante, a candidatura de Ciro se esvaziou.

À reportagem, alguns pedetistas falaram que não votam em Haddad e reclamam que o PDT foi "muito maltratado" pelo PT nos últimos meses. É preciso haver a reciprocidades nas relações, avaliam. 

Bolsonaro é "golpe" e "fujão", diz Lupi

Ao chegar para a reunião, Carlos Lupi, chamou Bolsonaro de "fujão" e "covarde". Para ele, o candidato está usando os atestados médicos em decorrência da recuperação do ataque à faca como "desculpas esfarrapadas" para não comparecer a debates televisivos nesta semana. O primeiro debate do segundo turno, promovido pela TV Bandeirantes, estava previsto para esta sexta-feira (12).

"Ele está correndo dos debates e está sendo covarde. Não quer apresentar ao povo brasileiro o que ele pensa. Como haverá uma eleição com dois candidatos no segundo turno em que um deles não quer participar do debate eleitoral? Ele não quer que o povo conheça sua verdadeira identidade. Virou desculpa esfarrapada feia. Por que então ele pode dar entrevista para TV Record? É medo, é correr, é fujão", falou.

Ainda segundo Lupi, a candidatura de Bolsonaro representa o "golpe". "Muita gente diz que se o Bolsonaro ganhar vem golpe. Não vem, ele é o golpe. É um capitão candidato a presidente e um general candidato a vice-presidente, para quê golpe? Então as pessoas têm de acordar para essa realidade", afirmou. Com informações do Uol.

Nenhum comentário:

Postar um comentário