
Num julgamento que durou cerca de oito horas no auditório do Fórum Desembargador Juvêncio Santana em Juazeiro, mais um réu foi condenado por homicídio qualificado. Trata-se do funcionário público da Receita Estadual e advogado Eliabe Gomes da Silva, que completará 58 anos no próximo dia 15 de novembro. O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri o condenou a 18 anos e nove meses de prisão pelo assassinato com um tiro do vigilante Johnatam Leite dos Santos, de 27 anos.
O crime aconteceu na noite do dia 30 de janeiro de 2010 na porta das Lojas Americanas na Rua do Cruzeiro, onde a vítima trabalhava no centro de Juazeiro. O motivo foi o fato do vigilante ter interpelado a filha do acusado, então com 6 anos, em virtude desta ter retirado adesivos de cadernos no interior da loja, mas, segundo depoimentos prestados por testemunhas, sem causar qualquer constrangimento para a criança.
Tal situação tinha ocorrido alguns dias antes e o acusado só soube quando veio passar o fim de semana no Juazeiro. Ele trabalhava num posto da Sefaz (Secretaria da Fazenda) na Barra do Ceará, em Fortaleza, após retornar à atividade da qual esteve afastado por alguns meses. Na sexta-feira, dia 29 de janeiro de 2010, atuou normalmente e, à noite, veio com rever a família. Ainda de acordo com os autos, ao tomar conhecimento foi até à loja conversar com a vítima prometendo retornar
Johnatam residia na Rua das Flores (Bairro Santa Tereza) e deixou uma filha menor de 3 anos e a esposa grávida. Já Eliabe morava na Avenida Floro Bartolomeu e chegou a dizer, no seu depoimento ter sido um disparo acidental. Além disso, sua defesa recorreu a exames de insanidade mental. No dia do crime, ele foi preso por Guardas Municipais perto da Praça Padre Cícero que até foram ameaçados. Entretanto conquistou a liberdade no dia 28 de outubro de 2010
Por ter formação superior, o mesmo esteve preso numa cela especial do 2º BPM e passou a responder em liberdade pelo crime que causou grande repercussão em todo o estado e vários manifestos no Juazeiro. Na noite daquele dia, a vítima Johnatam Leite fechava o estabelecimento quando Eliabe chegou de surpresa. Com a arma em punho, efetuou um único disparo tendo a mão que apertou o gatilho envolta em uma sacola plástica para evitar vestígios de pólvora.
O acusado foi preso quando tentava fugir pela Avenida Doutor Floro. Duas semanas após o homicídio o Promotor de Justiça, Leonardo Gurgel, o denunciou por homicídio duplamente qualificado e mais três tentativas de homicídio contra os Guardas Municipais Melo, Silvino e Aparecido que o prenderam. Já no dia 12 de abril de 2010, Eliabe tinha sido conduzido para o manicômio judiciário de Fortaleza como desdobramento do pedido de Insanidade Mental feito pela sua defesa.
Na solicitação considera que o mesmo não tinha capacidade de dirimir sobre seus atos. Já o retorno do fazendário à cela do 2º BPM se deu no dia 17 de junho ou mais de dois meses fazendo os exames. Ao ser preso, ele já tinha dito ao Delegado Marcos Antonio dos Santos, que não teve a intenção de matar atribuindo a morte do rapaz a um tiro acidental. Eliabe já tinha matado uma pessoa em Redenção, sua terra natal, há cerca de 30 anos e o crime prescreveu não sendo punido.
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