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| Foto Ismael Soares |
Os efeitos da imposição da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos devem ser sentidos em diversos setores produtivos do Ceará, especialmente na fabricação de aço e ligas metálicas. Isso porque há uma forte dependência do comércio externo cearense com o mercado norte-americano.
Caso não haja recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a nova tarifa deve entrar em vigor em 1º de agosto. O Brasil, que havia sido poupado nas primeiras tarifas anunciadas, teve a taxa mais alta entre as anunciadas nessa última terça-feira (9).
Além de motivações políticas, o mandatário dos Estados Unidos justificou que a medida deve diminuir a disparidade da balança comercial entre os dois países. Os dados mostram, entretanto, que os Estados Unidos exportaram mais para o Brasil do que o inverso.
No caso específico do Ceará, de fato há uma exportação maior do que importação de produtos norte-americanos. Os Estados Unidos são o principal destino das mercadorias cearenses exportadas.
No primeiro semestre de 2025, foram exportados US$ 556 milhões em produtos aos Estados Unidos, o equivalente a R$ 3 bilhões. O valor é cerca de 51% do montante exportado pelo Ceará de janeiro a junho - cerca de US$ 1 bilhão.
Com a tarifa de 50% imposta a compradores dos Estados Unidos para importação de produtos brasileiros, o envio da mercadoria deve diminuir. Consequentemente, a produção local deve ser reduzida, com risco de perda de empregos, avaliam especialistas.
“Há grande preocupação por parte dos produtores locais, pois a nova política comercial americana afeta todo o comércio internacional e modifica as bases sobre as quais a economia global se desenvolveu nos últimos 30 anos”, aponta o economista Alex Araujo.
O produto mais afetado deve ser o aço e seus semimanufaturados, que representaram 66% do montante exportado aos EUA em 2024, cerca de US$ 441 milhões.
“O caso do aço é mais delicado, pois temos muitos concorrentes globais, principalmente na Ásia”, aponta o economista. Em fevereiro, Donald Trump já havia decretado uma taxa de 25% sobre aço e alumínio importados, aplicada a todos os países.
Com informações do Diário do Nordeste.

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