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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Alterações causadas por zika vírus pode levar a diagnóstico precoce


mosquito

Estudo da Unicamp é inédito e foi desenvolvido com o renomado instituto de pesquisa de Cingapura, Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa (A*Star).

Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), feito com 100 pessoas infectadas com o vírus da zika, descobriu biomarcadores, uma espécie de assinatura do vírus nas moléculas de defesa do organismo.

Algumas moléculas se alteraram nos pacientes mais complicados. A descoberta é inédita e esse conhecimento abre portas para descobrir diagnóstico precoce, como se dá a transmissão fetal e estratégias terapêuticas.

A pesquisa envolveu 29 profissionais da Rede Zika Unicamp (grupo de estudos sobre a doença que envolve biólogos, médicos, biomêdicos e farmacêuticos) e representantes do renomado instituto de pesquisa de Cingapura na área, a Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa (A*Star).

O trabalho gerou artigo que foi aprovado para publicação no The Journal of Infectious Diseases - um periódico sobre doenças infecciosas - dos Estados Unidos.

Foram analisadas 45 moléculas de cada pessoa para encontrar quais delas se mostravam diferentes, com alterações. Foi como "procurar uma agulha no palheiro", segundo o professor do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp e um dos coordenadores do estudo, Fabio Trindade M. Costa.

A conclusão foram três alteradas nos casos mais graves, os bebês com microcefalia.

"O conjunto de 3 moléculas das crianças têm os maiores sintomas. A gente pode hoje, com essas moléculas, começar um estudo para usá-las como marcador de severidade. Conhecendo isso, posso fazer um tratamento que interrompa a produção desses marcadores", explica Costa.

A alteração

A coleta do exame foi feita com o soro dos pacientes, apenas uma gota de sangue usada para o diagnóstico molecular, e processada de maneira automatizada.

Fabio Trindade explica que todo processo infeccioso gera uma "resposta" no sistema imunológico, uma consequência natural de uma infecção, e, no caso dos pacientes com zika, um marcador específico.

Na análise dos 100 pacientes, somente uma porcentagem pequena apresentava complicações (as moléculas analisadas nesses se expressavam de forma diferente).

Em seguida, o estudo focou nos bebês com complicações graves, e os pesquisadores perceberam que eles tinham um conjunto de biomarcadores no sistema imune distinto, ainda mais alterado, do que os outros pacientes menos complicados.

Próximo passo

As pesquisas para descobrir a interferência desses marcadores com as células da barreira placentária, para verificar se eles influenciam na entrada do vírus já começaram.

"Vamos começar a entender se essas moléculas vão interferir nessas células e causar todas as consequências", completa o coordenador do estudo.


Fonte Diário do Nordeste

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